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Arquitetura de Seul: Fusão Milenar e Futurista na Capital Coreana

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A arquitetura de Seul é um testemunho vívido de uma metrópole que soube honrar seu passado milenar enquanto abraça a vanguarda do design e da sustentabilidade. Fundada há mais de dois mil anos, a capital da Coreia do Sul projeta em suas edificações uma narrativa de orgulho cultural e de ousadia cosmopolita, transformando cada estrutura em um capítulo de sua história dinâmica.

A criatividade, o arrojo, o compromisso com a sustentabilidade e o profundo respeito pelas tradições são os pilares que moldam o design futurista da capital coreana. Seul não é apenas um centro de cultura, música e entretenimento; ela é uma cidade que narra sua própria evolução através de suas casas, sobrados e arranha-céus imponentes, mesclando de forma singular o antigo e o contemporâneo.

Embarque nesta jornada pela

Arquitetura de Seul: Fusão Milenar e Futurista na Capital Coreana

para desvendar os segredos e as inovações que definem a paisagem urbana de Seul. Prepare-se para conhecer projetos que redefiniram conceitos, restauraram legados e elevaram o design a novas alturas, consolidando a imagem da cidade como um epicentro de inovação arquitetônica no cenário global.

Cheonggyecheon: Símbolo de Resgate Urbano e Sustentabilidade

À primeira vista, o riacho Cheonggyecheon pode parecer apenas mais um curso d’água urbano, mas sua história é um poderoso testemunho da integração bem-sucedida entre natureza e urbanismo. Antigamente um símbolo de caos e poluição decorrentes da rápida urbanização e industrialização de Seul – uma cidade majoritariamente rural por séculos –, o riacho se tornou um exemplo global de regeneração ambiental. Durante os anos 1930, ele era conhecido como o “câncer” da cidade, e na década seguinte, a situação se agravou com obstruções por lixo e esgoto, causando inundações e um odor insuportável.

As soluções iniciais foram ineficazes: em 1958, uma cobertura de concreto piorou a poluição sonora e do ar; em 1968, uma via expressa elevada tentou resolver problemas de tráfego, sem abordar a poluição subjacente. A virada ocorreu apenas em 2003, quando Seul implementou um ambicioso projeto de despoluição e restauração com uma visão abrangente de sustentabilidade. As intervenções incluíram a melhoria da qualidade da água por meio de sistemas avançados de tratamento, a criação de espaços públicos de lazer e recreação ao longo de sua extensão, a reabilitação do leito e das margens, a restauração de bens históricos e a construção de aterros para mitigar inundações. Um dos aspectos mais impactantes do projeto é sua oposição à lógica automobilística: o que antes era uma via de carros, hoje é um refúgio para pedestres e ciclistas. De acordo com estudos do Instituto de Seul, a área circundante ao córrego é agora 3,6°C mais fria do que as ruas adjacentes. Atualmente, o Cheonggyecheon é um marco de restauração ambiental, servindo como ponto turístico e área de lazer essencial para a população de Seul e inspirando iniciativas de sustentabilidade globalmente, conforme destacam relatórios sobre regeneração urbana sustentável.

Gyeongbokgung: O Legado Imperial que Resiste ao Tempo

Construído em 1395 para ser a residência oficial da dinastia Joseon (1392-1897), o Palácio Gyeongbokgung, ou Palácio Gyeongbok, por pouco não foi apagado da história. Queimado durante a Guerra Imjin (1592-1598), o palácio permaneceu abandonado por três séculos. Sua restauração só teve início no século XIX, mas no começo do século XX, foi novamente destruído parcialmente pelo império japonês, que vendeu e dispersou quase todas as suas 500 estruturas. Em 1945, após a libertação da Coreia, restavam apenas 40 edifícios pré-coloniais.

Os planos de recuperação, no entanto, ressurgiram décadas depois, com o Primeiro Plano de Restauração de Gyeongbokgung (1990-2010) e o Segundo Plano (2008-2045), visando devolver ao palácio sua antiga glória. O Gyeongbokgung atual preserva o Pavilhão Gyeonghoeru, um excelente exemplar da arquitetura Joseon, o Pavilhão Hyangwonjeong com seu lago sereno, e esculturas originais no Salão Geunjeongjeon que demonstram as técnicas esculturais da era Joseon. Além de um palácio, Gyeongbokgung é também um espaço cultural, abrigando o Museu Nacional do Palácio da Coreia e o Museu Nacional do Folclore da Coreia, enriquecendo a experiência dos visitantes com a rica herança coreana.

Dongdaemun Design Plaza (DDP): A Expressão Fluida de Zaha Hadid

A Dongdaemun Design Plaza (DDP), uma obra-prima da renomada arquiteta Zaha Hadid, é um complexo multiuso que se tornou um marco emblemático no desenvolvimento urbano de Seul. A grandiosa estrutura foi um fator decisivo para a designação da capital coreana como Capital Mundial do Design em 2010. Em contraste com os edifícios tradicionais de linhas retilíneas, o DDP ostenta traços fluidos e dinâmicos, evocando a ideia de movimento e energia que caracterizam uma cidade que nunca para.

O conceito central do DDP é o de “paisagem metonímica”, onde Hadid harmonizou aspectos históricos, culturais, urbanos, sociais e econômicos de Seul para recriar uma paisagem integrada na própria construção. Além de sua estética inovadora, o projeto incorpora recursos ecológicos notáveis, como fachadas duplas, painéis solares e um sistema avançado de reciclagem de água. Atualmente, o complexo é um vibrante centro de atividades, sediando exposições, desfiles de moda, fóruns, conferências e uma vasta programação de eventos. O DDP é segmentado em diversas seções, incluindo Allimteo, Beaumteo, Sallimteo, o Museu de Design DDP, o Mercado de Design (aberto 24 horas), a Praça Oullim e o Parque Histórico e Cultural de Dongdaemun, demonstrando a versatilidade e a modernidade da arquitetura de Seul.

Lotte World Tower: Grandiosidade e Inovação Sustentável

Com seus 555 metros de altura e 123 andares acima do solo, além de seis subsolos, a Lotte World Tower, inaugurada em 2017, figura como o sexto maior arranha-céu do planeta e uma verdadeira obra de arte arquitetônica na paisagem de Seul. À semelhança de outros projetos notáveis na cidade, a Lotte World Tower é um paradigma de construção sustentável, incorporando tecnologias avançadas para minimizar seu impacto ambiental.

Entre suas inovações, destaca-se um sofisticado sistema de bomba de calor para aquecimento e resfriamento, que utiliza 720 sondas geotérmicas instaladas a aproximadamente 200 metros de profundidade, além da água do rio Han. O edifício integra também vidro isolante térmico com sistemas de sombreamento passivo, painéis fotovoltaicos, turbinas eólicas e um sistema de captação de água da chuva. A robustez estrutural da torre é notável, com um telhado projetado para suportar seu próprio peso sem pilares de reforço, e a capacidade de resistir a terremotos de magnitude 9 na escala Richter e ventos de até 80 m/s. A Lotte World Tower foi projetada pela Kohn Pedersen Fox Associates, desenvolvida pela Lotte Engineering & Construction, com engenharia da Syska Hennessy Group e engenharia estrutural da Leslie E. Robertson Associates, reafirmando a capacidade de Seul em edificar ícones arquitetônicos de classe mundial.

Arquitetura de Seul: Fusão Milenar e Futurista na Capital Coreana - Imagem do artigo original

Imagem: Basile Morin via blog.archtrends.com

Universidade Ewha Womans: Uma Visão Arquitetônica Inovadora

Fundada em 1886 e exclusiva para mulheres, a Universidade Ewha Womans é um exemplo de como a arquitetura pode dialogar com a história e a identidade de uma instituição. Em 2004, a universidade promoveu um concurso para reformar seu campus, vencido pelo escritório francês Dominique Perrault, com a obra concluída em 2008. A instituição, criada por uma missionária, mantém até hoje valores cristãos, o que talvez explique a fusão intrigante entre o urbano e o natural, conectando o terreno ao espiritual em seu projeto.

Em vez de elevar-se, a reforma “desce”, concentrando-se no terreno e facilitando o acesso ao campus através de uma “fissura” construída em meio à elevação. Este conceito singular resulta em um edifício fora do convencional, que desafia os limites da criatividade e da integração paisagística, mesmo para uma cidade tão inovadora quanto Seul. A Ewha Womans University se destaca como um espaço que redefine a arquitetura educacional, promovendo uma experiência única para sua comunidade.

Kring Kumho Culture Complex: Design de Conexão e Criatividade

Profissionais e entusiastas da arquitetura que visitam Seul não podem deixar de conhecer o Kring Kumho Culture Complex, uma obra-prima projetada por YoonGyoo Jang, arquiteto principal da Unsangdong Architects. O grande diferencial deste projeto reside em seu layout completamente fora do comum. Ao redor das janelas, um revestimento de aço se desdobra em diversas formas circulares, que se multiplicam em camadas, criando uma estética visualmente cativante e única.

A concepção arquitetônica do Kring Kumho teve como objetivo acompanhar o branding da marca e estabelecer uma conexão profunda com o público, convidando o consumidor a reconsiderar a marca através da experiência do espaço. Outra ideia inovadora está no interior do complexo: passarelas cilíndricas conectam as diversas áreas internas, que incluem escritórios, salas de conferência, cafés e um espaço criativo dedicado a apresentações públicas. O edifício também serve como palco para eventos, exposições e concursos, consolidando-se como um centro dinâmico de cultura e inovação na vibrante Seul.

Museu Leeum Samsung: Arte Coreana e Arquitetura de Ponta

Administrado pela Samsung Foundation of Culture, o Museu Leeum Samsung é reconhecido como um dos três principais museus privados da Coreia do Sul. Ele abriga uma parte significativa da vasta coleção de arte coreana do fundador da Samsung, Lee Byung-chul. Embora grande parte de sua coleção original tenha sido perdida ou doada, o museu exibe uma seleção impressionante do que restou, permitindo aos visitantes mergulhar na rica herança artística coreana.

O museu é dividido em duas partes distintas: o Museu 1, projetado pelo renomado arquiteto Mario Botta, dedica-se à arte tradicional coreana. Sua coleção inclui trinta e seis peças designadas como tesouros nacionais, com destaque para a rotunda que é um elemento arquitetônico marcante. Já o Museu 2, concebido em colaboração pelos arquitetos Jean Nouvel e Rem Koolhaas, é dedicado à arte contemporânea. Ele apresenta exposições permanentes de grandes nomes como Andy Warhol, Mark Rothko, Yves Klein e Donald Judd. Os níveis do subsolo do museu se abrem para um jardim rebaixado, adornado com bétulas e samambaias, e muros de gabião. Um dos destaques arquitetônicos é o salão principal de exposições, que utiliza técnicas de construção pós-tensionada para criar um espaço completamente aberto e sem pilares de suporte, evidenciando a inovação da arquitetura de Seul.

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Em síntese, Seul se destaca como uma metrópole onde a arquitetura tece uma narrativa rica e multifacetada, mesclando o passado glorioso com um futuro promissor. As edificações da cidade simbolizam a capacidade de um povo em inovar e prosperar em diversos setores, oferecendo uma experiência visual e cultural sem igual. Para continuar explorando o universo da urbanização e do design, convidamos você a descobrir mais sobre o tema em nossa editoria de Cidades.

Crédito da imagem: Mauveine Kim/Wikimedia Commons