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A Casa das Sete Árvores, um exemplar notável do escritório Hersen Mendes Arquitetura, emerge como um marco na arquitetura contemporânea brasileira, finalista do prestigiado Prêmio Obra do Ano 2026, promovido pelo ArchDaily Brasil. Situada no coração do cerrado, esta residência de 512 m² personifica a sinergia entre o construído e o natural, estabelecendo um diálogo profundo com o ecossistema local e incorporando princípios de biofilia em sua concepção.
Desde sua idealização, o projeto foi guiado por uma premissa poética e singular: permitir que a própria natureza do terreno moldasse a criação arquitetônica. A equipe do Hersen Mendes Arquitetura realizou um minucioso mapeamento de sete árvores preexistentes na propriedade, que foram não apenas preservadas, mas intrinsecamente incorporadas à implantação da casa, servindo de inspiração para seu nome e orientando cada aspecto do design.
Casa das Sete Árvores: Arquitetura que Integra Natureza no Cerrado
A sensibilidade do projeto em relação ao ambiente se manifesta através de soluções sustentáveis, da escolha estratégica de materiais naturais e da utilização de revestimentos cerâmicos da Portobello. Essa abordagem integrada resultou em uma narrativa arquitetônica que harmoniza a contemporaneidade das formas com uma profunda conexão com a paisagem e o máximo conforto para seus moradores. O projeto, datado de 15 de abril de 2026, exemplifica como a arquitetura pode valorizar a paisagem e a sustentabilidade de maneira exemplar.
O anseio dos moradores era claro: ao entrar na residência, desejavam ter a sensação de estar se conectando diretamente com a paisagem circundante. A resposta do escritório Hersen Mendes Arquitetura foi a criação de um conjunto de volumes arquitetônicos que interagem de forma fluida com o entorno. Trechos da construção se apoiam diretamente no solo, enquanto outras partes se elevam, todas concebidas com respeito à topografia original do lote e à densa vegetação nativa do cerrado.
A implantação da casa foi cuidadosamente planejada para a área mais plana do terreno, desenvolvendo-se de maneira gradual e orgânica ao longo do desnível. Essa estratégia permitiu uma dinâmica arquitetônica onde os volumes avançam e recuam, acompanhando as curvas e elevações do solo. Em pontos estratégicos, a estrutura se eleva do chão, sustentada por robustos pilares que mimetizam os troncos das árvores do cerrado, reforçando a integração visual e estrutural com a floresta.
Além da marcante integração visual, o projeto priorizou a permeabilidade do solo. Essa decisão assegurou a preservação do fluxo natural das águas pluviais, crucial para a manutenção do ecossistema local. Durante a fase de construção, foram observados diversos processos de polinização na área, um testemunho eloquente da capacidade da residência de coexistir de forma harmoniosa com a fauna e a flora nativas, minimizando o impacto ambiental.
A escolha de materiais foi outro pilar fundamental na concepção da Casa das Sete Árvores. O uso de recursos regionais, como tijolos ecológicos produzidos a partir de argila local sem a necessidade de queima, reforça o compromisso com a sustentabilidade. Esses tijolos se complementam de forma estética e funcional com o revestimento Terralma Arizona, da Portobello, uma marca reconhecida por seus processos sustentáveis desde a concepção de seus produtos, contribuindo para uma obra que verdadeiramente dialoga com a natureza. A residência também incorpora um sistema de energia fotovoltaica, que contribui significativamente para a redução do consumo energético e a pegada de carbono.
No interior da casa, a proposta se traduz em ambientes amplos e fluidos, deliberadamente projetados para evitar divisões rígidas. As áreas sociais, incluindo estar, jantar e cozinha, conectam-se de maneira orgânica, promovendo uma circulação livre e desimpedida para os moradores. Grandes aberturas, que se estendem do piso ao teto, são responsáveis por garantir uma iluminação natural abundante durante todo o dia e por manter a paisagem do cerrado como uma presença constante dentro do lar. A luz solar, ao atravessar os espaços, reflete-se nos materiais naturais utilizados, criando uma atmosfera acolhedora e em constante mutação.
A curadoria de mobiliário e obras de arte foi pensada para adicionar personalidade aos espaços, enquanto a paleta de cores, dominada por tons neutros, terrosos e esverdeados, serve para reforçar a intrínseca relação com a natureza exterior. Dentre os elementos de destaque, encontra-se uma parede suspensa onde a televisão está instalada. Esta parede, além de ocultar um armário interno, abriga uma lareira em sua base, configurando um ponto focal elegante e funcional. Volumes arquitetônicos que não alcançam o teto, como o apoio da cozinha e a cabeceira do quarto, contribuem para uma sensação de leveza e continuidade espacial, acentuando a fluidez que é uma marca registrada da residência.
Imagem: Joana França via blog.archtrends.com
Um dos aspectos mais inovadores da Casa das Sete Árvores reside na sua abordagem ao conceito de biblioteca. Em vez de criar um ambiente isolado e exclusivo para livros, os arquitetos optaram por distribuir estantes estrategicamente por diferentes pontos da casa. Assim, a biblioteca se integra ao cotidiano dos moradores, permitindo que múltiplos cantos da residência se transformem em espaços para leitura e contemplação. As estantes são confeccionadas em aço corten, o mesmo material utilizado na escada e na porta do lavabo. A tonalidade quente e oxidada do metal dialoga de forma harmoniosa com os tijolos aparentes e com a paleta terrosa predominante em todo o projeto. Em detalhes, o revestimento Filete Terralma Jalapão, da Portobello, com seu formato delicado de 1,5×37 cm e acabamento em brilho, adiciona uma camada de textura sutil e reforça a identidade natural do espaço.
Na cozinha, o projeto prossegue com o diálogo entre materiais naturais e soluções contemporâneas. A marcenaria sob medida e os revestimentos cuidadosamente selecionados contribuem para a criação de uma atmosfera convidativa, enquanto um sistema de iluminação estrategicamente pensado amplifica a sensação de amplitude. Uma das paredes da cozinha destaca a linha Terralma, da Portobello, aplicada no tom Noronha e nas dimensões 9×37 cm. A superfície mate e as bordas bold (arredondadas) conferem uma estética autêntica, e o formato alongado permite composições visuais dinâmicas. Essa escolha de revestimento reforça o conceito central do projeto: conceber uma casa que se conecta profundamente com o território e celebra a matéria-prima em sua essência natural.
Nos banheiros e no lavabo, a linha Terralma reaparece, agora explorando as tonalidades Mandacaru e Sardenha, que criam ambientes que exploram diferentes nuances da paleta de cores inspirada no cerrado. A proposta dessa linha da Portobello é estabelecer uma conexão profunda com a terra e com a matéria em sua forma mais essencial. O resultado é um sistema de revestimentos que possibilita composições cromáticas ricas e altamente personalizadas. No contexto da Casa das Sete Árvores, essas tonalidades reforçam a identidade natural da residência, garantindo uma continuidade fluida e harmoniosa entre os espaços internos e a deslumbrante paisagem externa.
No ponto mais elevado do terreno, encontra-se um dos espaços mais singulares da residência: o ateliê da moradora, um refúgio dedicado às atividades de arte e costura. Este volume arquitetônico é completamente suspenso, apoiado sobre dois pilares que mimetizam a forma de árvores, o que reitera o contínuo diálogo entre a arquitetura e a natureza. Para acessá-lo, é necessário atravessar uma passarela que se conecta diretamente à área social da casa. Essa passagem é protegida por brises metálicos na cor amarela, que não apenas filtram a intensidade da luz solar, mas também criam um interessante jogo de sombras que se move ao longo do dia. O corredor de acesso ao ateliê também recebe revestimentos da linha Terralma, na tonalidade Jalapão, reforçando a identidade cromática inspirada no ambiente natural. O resultado é um percurso arquitetônico que transforma o deslocamento cotidiano em uma experiência sensorial e visualmente rica.
Ao preservar as árvores existentes, respeitar a topografia original do terreno e fazer uso de materiais locais e soluções eficientes, o escritório Hersen Mendes Arquitetura demonstra de forma exemplar como é possível criar projetos que transcendem a mera estética. A contribuição dos revestimentos da Portobello para essa narrativa é inegável, incorporando tonalidades e texturas diretamente inspiradas na natureza e, assim, reforçando a identidade singular do projeto. Reconhecido por sua inovação e sustentabilidade, o projeto foi finalista do Prêmio Obra do Ano 2026 do ArchDaily Brasil, consolidando seu status como referência na arquitetura nacional.
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Mais do que uma simples residência, a Casa das Sete Árvores representa uma experiência de habitar que celebra o equilíbrio perfeito entre o natural e o construído, oferecendo um convite à contemplação e à conexão com o ambiente. Para explorar outras análises de projetos de arquitetura e design que valorizam a sustentabilidade e a integração com a natureza, continue acompanhando nossa editoria de Análises e descubra novas perspectivas e inspirações para o futuro da arquitetura brasileira.
Crédito da imagem: Joana França / Hersen Mendes Arquitetura
